Hoje você vai aprender alguns porquês sobre as dificuldades que temos em aprender algo novo. Não aperte o cinto, abra sua mente e segue o post!

A falta da base

Aposto que, em algum momento da sua vida, você já se viu empacado(a) em alguma questão. Esta questão pode ser sobre qualquer coisa, mas isso acontece com frequência em assuntos mais algébricos – assuntos mais matemáticos, por assim dizer – embora isso se aplique a qualquer área do conhecimento. Isso acontece porque não aprendemos direito as bases anteriores ao assunto que estamos enfrentando e, como o próprio nome sugere, sem a base o conhecimento não se sustenta.

Tome como exemplo uma equação do segundo grau – não vou entrar aqui em detalhes de fórmula e nem como se chega na solução. O ponto é que quando você vê a tal famigerada fórmula de Bhaskara talvez surjam algumas dificuldades porque a fórmula envolve radiciação (raiz quadrada, no caso), misturada com potência e multiplicação de números reais (aqui falo de reais com o sentido de positivos e negativos). Para finalizar, e colocar um sauce, ainda tem ali uma fração com mais multiplicação no denominador. Este é o momento em que você olha para aquilo tudo, sabe no máximo substituir as variáveis, e aí começa o pânico. Isso só acontece porque, ao longo do ensino fundamental, você não treinou a ordem das operações devidamente, não se acostumou com operações envolvendo frações, não praticou radiciação e potenciação (que são relacionados) e, talvez, não tenha nem entendido como funciona a regra de sinais entre operações básicas com números reais.

Bom, é aqui que as coisas começam a se complicar porque, quando você entra no ensino médio, os conteúdos exigem que você já tenha estas competências basilares supracitadas bem desenvolvidas e solidificadas de modo que o que era alvo de aprendizado ontem hoje será usado como ferramenta para aprender novos conteúdos.

Do que adianta a base se não seguimos bons exemplos?

Outra falha que cometemos no aprendizado de qualquer coisa é não darmos atenção aos exemplos. Apenas para mostrar que o que estou comentando aqui não está relacionado apenas a conceitos matemáticos, darei um exemplo artístico.

Digamos que você foi designado(a) para criar uma pintura que passe um aspecto mais triste. Se, ao longo do seu aprendizado artístico, você não viu exemplos de obras que expressassem um sentimento mais retraído não terá percebido que, comumente, este tipo de obra é majoritariamente composta por cores frias e que as cores frias, naturalmente, já expressam algo relacionado à solidão, à morbidez e, por si próprias, já são uma das peças fundamentais para chegar no objetivo proposto – independente do objeto expresso na obra.

Eu não entendo muito de arte mas o ponto central é: não pegar as bases para um conhecimento, aliado à escassez de exemplos, comprometem toda a sequência da cadeia de aprendizado. Afinal de contas, como que você vai compreender algo que não conhece e que nunca viu sem saber como aplicar? Os exemplos tiram dúvidas e esclarecem questões antes mesmo de nos envolvermos com o tópico ativamente. Falando nisso…

“Li, ouvi e aprendi”: a ilusão de competência

Isso é uma coisa engraçada: a gente tem a mania, completamente equivocada por sinal, de achar que sabemos fazer algo apenas porque entendemos uma explicação ou um exemplo. Na verdade, existe um termo para esta armadilha do aprendizado e o nome é ilusão de competência.

Eu gostaria de ter inventado este termo mas, na verdade, o crédito vai para Barbara Oakley. Eu não sei se foi ela quem inventou o termo mas foi ela quem me ensinou. A Barbara, hoje é engenheira e a história dela é muito boa! Mas, antes de ser engenheira, ela odiava exatas e queria ser, na verdade, uma linguista. Ela queria ser especialista em idiomas e acabou sendo engenheira! Mas, vamos voltar à ilusão de competência.

O fato de você ter entendido a explicação de um professor(a), ou os exemplos passados em aula, não garantem que você aprendeu. Na verdade, você ter entendido é extremamente bom e importante no aprendizado, mas é apenas um auxílio na aprendizagem. Por mais que seja um passo importantíssimo, você não participou de maneira ativa e, adivinhe… Sim, se você não praticar o que viu e não experienciar o conteúdo de forma prática, esquecerá isso em alguns dias. Você aprende a cantar vendo The Voice? Ou então, diga-me quantas pessoas viraram cozinheiros(as) só de ver MasterChef? Melhor ainda, aquela empreendedora talentosíssima chegou ao sucesso depois de quantas temporadas de O Aprendiz?

Então, não se ache o Tesla só porque entendeu bem e viu exemplos. Mexa-se e pratique!

Oakley, Oakley, Oakley (ó!)

A verdade é que essas coisas que abordei são apenas o começo para ter um bom aprendizado, independente do assunto ou da área. As coisas que aprendi com a Barbara Oakley são valiosíssimas e “explodidoras de mente”. Para ser honesto, a Barbara, além de engenheira, é autora de livros e aborda o que falei aqui, e muito mais, no livro Aprendendo a Aprender – versão em português!

Se você quiser um livro ainda mais enxuto, mas sem perder qualidade nem conteúdo, pode optar pelo livro Learning How to Learn. Para você ter uma ideia, os conteúdos são tão fáceis que a Barbara criou uma versão mais atrativa dos assuntos focada especificamente em jovens e adolescentes que, novamente, não perde em absolutamente nada para a versão original – eu li os dois e posso confirmar isso. Inclusive, este livro ainda não possui uma versão em português mas é extremamente fácil de ler, vai por mim!

Indo além

Mais uma dica: quando você ler algum dos livros que citei, verá que é extremamente recomendável aprender de forma multissensorial. Foi por isso que gravamos um episódio pro nosso podcast falando unicamente das dicas e técnicas ensinadas neste livro.

Leia algum destes livros (ou os dois, como eu fiz – e ainda treine teu inglês) e aprenda de fato como usar seu tempo e esforço de maneira inteligente e eficaz. Os resultados vêm mesmo! Mas quero saber sua opinião: você possui outras dificuldades no aprendizado? Quais? O que achou do livro? E o episódio?

Livros: Aprendendo a Aprender (em português) e Learning How to Learn (em inglês).