Enfim, terminada a saga “Lula”, temos um candidato à presidência pelo Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad.

Como você já sabe, ou caso ainda não saiba, nós do PodPá!, preocupados com as eleições de 2018, tomamos como objetivo fazer um programa especial sobre cada um dos candidatos à presidência de 2018. Porém, deixamos o PT de fora deste especial. Isso porque o partido oficializou um candidato “ficha suja” e, de acordo com a Lei Complementar N° 135, Lula não pode ser considerado candidato. Com isso, seguindo o nosso editorial, abstivemo-nos de fazer um programa sobre o PT no nosso podcast.

Mas agora a situação mudou: Haddad foi oficializado como candidato à presidência. Sendo assim, para não deixar em branco, vamos neste artigo resumir um pouco a história, as propostas e as polêmicas do candidato, seguindo o mesmo padrão do programa “podcastal”.

História

Fernando Haddad nasceu em São Paulo, mais precisamente na Vila Maria, no dia 25 de janeiro de 1963. É filho de libaneses, sendo o pai imigrante, Khalil Haddad e a mãe de origem libanesa, mas nascida no Brasil, Norma Thereza Goussain Haddad. O casal teve três filhos e trabalhava no comércio de tecidos, na região da Rua 25 de Março.

A infância de Fernando Haddad era dividida entre a escola, Colégio Ateneu Ricardo Nunes, e os campos de várzea do bairro Planalto Paulista, zona sul de São Paulo. Mais tarde, começou a trabalhar na loja da família e, em 1981, ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP).

Graduou-se em Direito em 1985; cinco anos depois conclui mestrado em economia, em 1990. Posteriormente conclui doutorado em filosofia em 1996.

Em 1983, já envolvido no movimento estudantil da faculdade, filia-se ao Partido dos Trabalhadores, o PT.

“Quanto mais juros um banco cobrar, mais impostos ele terá que pagar”

Carreira Politica

Apesar de só ter disputado eleições uma vez, Haddad tem uma longa carreira política. Ela se inicia em 2000, quando a prefeita de São Paulo Marta Suplicy o convida para atuar como chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura. Ficou no cargo de 2001 a 2003.

Haddad deixa o cargo na Secretaria, porque em 2002 Lula foi eleito presidente e o nomeou para ser assessor especial do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, trabalhando junto com o ministro, à época, Guido Mantega. Neste cargo, ele atuou no plano de privatizações público-privadas (as PPPs), com o intuito de acelerar as parcerias e os investimento mistos.

Em 2004, passa a integrar o Ministério da Educação, sendo secretario executivo. Lá coordenou o grupo que elaborou uma reforma universitária. Além disso, iniciou ali, os planos do que viria a ser o ProUni (Programa Universidade para Todos).

Com as denúncias do governo Lula, e o afastamento do ministro da educação, Haddad assumiu a pasta.

Sua gestão foi marcada pelo desenvolvimento do ProUni e do Fies, além de diversas reformas no sistema de ensino, tal como o nono ano do ensino fundamental. Muitos destes projetos não são de autoria do Haddad e já estavam “parados” no ministério. O Fies, por exemplo, já vinha desde o governo FHC. Porém, Haddad assumiu com o objetivo de dar cabo a tudo que estava parado. Exemplo disso foi em 2007, com o lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação, considerado por muitos como o “PAC da Educação”. Este programa, dentre outras medidas, buscou criar sensos educacionais, além de reformar o sistema do ENEM.

Em 2012, ele deixa o ministério.

Prefeito de São Paulo

Fernando Haddad foi escolhido pelo PT para disputar as eleições de 2012 para o cargo de prefeito da cidade de São Paulo. No primeiro turno, teve 1.775.317 votos, o que correspondem a 28,98%, ficando em segundo lugar.

No segundo turno teve, 3.387.720 votos, o que correspondem a 55,57% dos votos válidos, sendo, portanto, eleito. Os gastos da campanha existem, porém não estavam disponíveis até a data desta publicação, mas você pode tentar acessar aqui.

Como prefeito de São Paulo, focou esforços em renegociar a dívida com a União, melhorar a qualidade dos serviços públicos e deu bastante atenção à mobilidade urbana, aumentando o número de ciclovias, passando a mais de 300 quilômetros. Melhorou a qualidade de muitas linhas de ônibus da cidade. Também conseguiu aprovar o novo plano diretor, algo que há muitos anos estava parado na mesa da prefeitura. Isso facilitou a “reorganização” das cidades, permitindo construções e instalação de empresas em regiões onde antes era… complicado.

“O que importa é nosso compromisso com lula e com a soberania popular”

Haddad também contratou a empresa Fintch para realizar uma análise de todas as contas da prefeitura. Isso rendeu à cidade o selo “AA+” de bom pagador, permitindo que a cidade conseguisse mais facilidades a capital estrangeiro.

Polêmicas

Mas Haddad também teve alguns deslizes, principalmente na prefeitura que comandou entre 2012 e 2015. O primeiro problema foi quando o prefeito decidiu subir o preço das passagens de ônibus e metrô em R$ 0,20 centavos, passando a ser R$ 3,20. Isso desagradou à população da cidade que, pouco a pouco, fez com que o país todo se manifestasse no que ficaria conhecido como as passeatas de 2013 (ou a revolta dos 20 centavos). Este movimento, embalado, contribuiria posteriormente para o impeachment da então presidente da república, Dilma Rousseff. Posteriormente, Haddad, juntamente com o governo estadual, decidiu por congelar o preço das passagens naquele ano.

Além disso, Fernando Haddad foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, por ter supostamente pedido à UTC Engenharia o valor de R$ 2,6 milhões para o pagamento de dívidas de campanha.

A denúncia feita pelo MP diz que João Vaccari Neto era o interlocutor de Haddad no esquema e que o valor pretendido era de R$ 3 Milhões. O MP ainda diz que consta na agenda do prefeito um encontro com o presidente da UTC em fevereiro de 2013.

As propostas

No programa de governo do candidato, extraímos algumas propostas:

  • Novo pacto federativo;
  • Promover reforma do Estado;
  • Fortalecer as relações internacionais com África e os BRICS;
  • Convocar uma nova constituinte;
  • Reformular ensino médio e expandir a educação em tempo integral;
  • Promover políticas de igualdade de gênero e racial;
  • Promover a cidadania LGBTI+;
  • Diversificar a matriz de transporte;
  • Retomar todas as obras paradas;
  • Aumentar o investimento no bolsa família;
  • Ampliar o programa minha casa minha vida;
  • Política Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial;
  • Interiorização da produção e oportunidades de inclusão;
  • Regularizar a mídia e comunicação social e eletrônica;

Você pode ver o plano de governo completo aqui.

“Vamos resgatar o Brasil para os brasileiros”

Por fim

Com isso, concluímos nosso trabalho de documentar a história e as propostas de todos os candidatos à presidência da república. Infelizmente, devido à indecisão do PT, não pudemos gravar um podcast sobre Fernando Haddad em tempo hábil antes das eleições (não com a qualidade e minúcia que a Série Candidatos vem apresentando). Pedimos desculpas para quem vem acompanhando a série e para os eleitores de Haddad. Mas além deste artigo, deixaremos mais fontes e referências.

Continue acompanhando a nossa série, ajude-nos a divulgá-las e vote nestas eleições! Porque 2018 é o ano da decisão!

Fontes e Referências

http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/haddad-fernando

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2018/09/04/mp-denuncia-haddad-por-corrupcao-e-lavagem-de-dinheiro-em-suposto-pagamento-de-divida-de-campanha.ghtml

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/11/1705185-cidade-de-sao-paulo-obtem-selo-de-investimento-de-agencia-de-risco.shtml

http://ultimosegundo.ig.com.br/fernando-haddad/4f7df9eea0769351110000ee.html

Apenas um rapaz latino americano que busca seu lugar ao Sol, formado em Tecnologia da Informação porém amante de humanas. Ao se deparar com diversas situações do dia a dia, reflete sobre todas elas, e dessas reflexões as vezes sai uns conteúdos bons que a gente posta por aqui mesmo.