Pode parecer estranho, mas você sabia que existem vagas de trabalho para ser gestor de robôs? Com certeza você conhece, já ouviu falar, da profissão gestor de PESSOAS. Mas, com o crescimento voraz das inteligências artificiais, da internet e das tecnologias móveis, este cenário está mudando muito. Isso, senhoras e senhores, é a 4ª Revolução Industrial.

Mas, sem alongar muito, vamos ao ponto: como essa revolução interfere na nossa vida? Vamos perder nosso trampo? Para responder essas perguntas vamos precisar dar uma olhada na situação atual.

A substituição

Aqui temos que derrubar um mito. É preciso tirar essa ideia que muitas pessoas têm de que serão substituídas por robôs propriamente dito. NÃO! A verdade é que a automatização dos processos, dos serviços do trabalho no dia a dia, deixou, pouco a pouco, de existir. Para ficar mais claro, vamos a alguns exemplos:

Antigamente, em quase todas as linhas de ônibus de São Paulo, tínhamos o motorista e o cobrador, ambos funcionários da empresa que prestavam serviço à prefeitura. O cobrador era responsável por, obviamente, cobrar a passagem dos passageiros, trocar o dinheiro, contabilizar o caixa da viagem e tudo mais. Nos últimos anos, essa é uma profissão que vem desaparecendo e, pouco a pouco, os cobradores vêm sumindo, sendo tirados das linhas de ônibus.

Mas por quê?

Porque hoje as passagens de ônibus foram digitalizadas; hoje existem cartões que podem ser carregados com dinheiro ou pela internet e que dão direito a várias viagens. Agora, basta o usuário validar o cartão na catraca para andar de ônibus em SP e, nisso, temos um exemplo claro da tal substituição – que aqui age como uma automação do processo. A tarefa de cobrar a passagem dos usuários, feita pelo cobrador, foi automatizada e agora não precisa mais de uma pessoa designada para isso, pois a tarefa, o serviço que justificava o trabalhador, deixou de existir.

Aqui tem um video pra quem quiser saber mais: https://www.youtube.com/watch?v=C0UwbKzxqgY

Mais um exemplo: ainda em SP, por anos tivemos em todas as linhas de metrô, trens controlados por condutores, até a chegada da linha amarela, que tem todos os trens controlados por um computador. Acelera, freia, abre e fecha as portas tudo de maneira automatizada, com ninguém pilotando. Tudo feito por computador, de maneira autônoma.

Nestes exemplos, citamos profissões que, basicamente, possuíam apenas uma tarefa. Então, de certo modo, podemos dizer que, sim, um trabalhador foi substituído por uma tecnologia. Uma tecnologia que busca melhorar o serviço para os usuários, ao mesmo tempo que reduz o custo para a empresa. Isso tudo acontece com vários cargos, várias profissões, em menor ou em maior grau. Quanto mais serviços de um trabalhador forem automatizados, quanto mais processos deixarem de existir, mais risco esse emprego corre de desaparecer.

Em que pé a coisa está?

“Menos 800 milhões de empregos até 2030”

Assustou, né? Mas, sim, segundo um estudo feito pelo McKinsey Global Institute, até 2030, o mundo, a economia global, perderá 800 milhões de empregos (e contando…).

Esse numero parece preocupante de certa forma mas aqui nós vamos procurar entendê-lo e depois trazê-lo para nossa realidade. Para isso, vamos analisar os dados de um levantamento da revista The Economist, que ranqueia 25 países mais preparados para a 4ª Revolução:

Países que perderão empregos até 2030

Neste ranking, podemos notar que os países mais desenvolvidos, e que têm uma economia mais liberal ao capitalismo, lideram como os mais preparados para se automatizar. Isso ocorre porque, nestes países, a mão de obra já é melhor qualificada e, de certo modo, preparada para essa nova revolução. Coreia do Sul, por exemplo, é o país que lidera o ranking – justamente por ser um dos países que desenvolvem este tipo de tecnologia para automação -, seguido por Alemanha, que também possui empresas que já atua neste seguimento, e, em terceiro, Cingapura, pelo simples fato de ser um país liberal para investidores e empresas (sem novidade aqui).

No outro bloco, o dos menos preparados, onde está nossa querida terra brazolha, estão os países que estão com menor preparo, portanto. Não por serem mais “pobres” mas por não terem, ou não demonstrarem, capacidade de qualificar sua mão de obra, sendo muitos desses países, tal como o Brasil, produtores em massa – e toda a produção em massa corre mais risco de ser automatizada, já temos este exemplo aqui, com o campo, as fazendas, cada vez mais otimizados com máquinas e tecnologias, deixando de lado o trabalho braçal, que geralmente era realizado por um trabalhador com pouca formação. Este trabalhador do campo entra nesse balaio dos 800 milhões de empregos perdidos. O emprego deixa de existir e o país não consegue qualificar este trabalhador “mais simples”.

Este cenário é ainda mais critico nos países em vermelho, como México, Vietnã e Indonésia.

O Brasil vai sofrer?

Temos uma resposta boa e outra ruim para esta pergunta. A boa, é que não, não iremos sofrer tanto até 2030; não perderemos tantos empregos assim. Isso porque (agora a resposta ruim) não temos capacidade para automatizar tantos trabalhos assim. Infelizmente, o Brasil está bem distante dos outros países na questão de desenvolvimento tecnológico, a ponto de o mercado não estar tão preocupado assim em substituir alguém por uma máquina (pelo menos não por agora), pois o país não oferece condições para isso – muito menos incentivos. Aqui, nós conseguimos entender melhor tudo isso:

Paises que mais terão empregos afetados… E o Brasil ali no meio

Este gráfico elucida justamente o que foi dito logo acima: quanto mais desenvolvido tecnologicamente um país, mais empregos ele perderá até 2030. Temos o Japão, que pode perder cerca de quase 30% dos seus empregos, seguido por Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.

Todos estes países são líderes em tecnologia e, por este fato, sofrerão mais impacto.

Quais empregos vão sofrer mais?

Não é porque o Brasil está “fora de perigo” que está tudo bem. Muito pelo contrário. A questão é que, direta ou indiretamente, temos mais tempo para mudar esta realidade. Sabemos que a maioria dos empregos no Brasil são no setor de serviços (limpeza, construção, manutenção, etc). Só em 2017, este setor empregava 67,7%, segundo o IBGE, ou seja, mais da metade da força de trabalho do país trabalha em um dos setores que pode ser atingido pela automação da 4ª Revolução.

Um emprego que já empregou muito, mas que tende a desaparecer em 10 anos, aqui no Brasil é o cargo de telemarketing. Talvez você não saiba, mas já existem I.A. (Inteligências Artificiais) capazes de interagirem com naturalidade, tempo real e capacidade de cognição com o usuário via telefone. Tipo quando você liga para a sua operadora de internet e tem aquela voz que pede para você digitar a opção desejada, manja? Então, aquilo se chama URA (Unidade de Resposta Audível) e isso é coisa do passado. Veja como já evoluímos muito:

Já existem empresas no Brasil, inclusive que já estão se utilizando de tecnologias parecidas.

Essas tecnologias vieram para automatizar o contato com o usuário: ao invés dele ligar para a operadora de internet, ele terá mais opções de atendimento, como o chat, onde conversa com bots (esse sim o robô), que respondem em tempo real. Se for necessário ligar, os bots também podem fazer isso. Enfim, as possibilidades são gigantes, pois estamos falando de Inteligência Artificial.

Mas, então, se um computador, um robô pode fazer esse trampo para mim, por que eu vou contratar um atendente de telemarketing? Justamente. Não será mais necessário. Existem diversas empresas no Brasil que não têm mais essa estrutura, e as que ainda têm estão se desfazendo. Ainda existem e vão existir atendentes, por um período de transição, ou quando o usuário precisar de fato de um humano para resolver seu problema, mas muito, muito em breve mesmo, deixará de existir.

A regra geral é: se a sua profissão é composta por poucas tarefas, por poucos processos (ainda mais se forem repetitivos), se o seu serviço é um só, então, sim, você pode ser substituído por um robô.

Relaaaaaxa, isso é normal!

Não adianta lutar contra o futuro. Não adianta querer se resguardar do progresso. Ele sempre vem, as coisas estão em constante mudança, estamos sempre evoluindo e em busca da evolução. Portanto, naturalmente, isso também ocorre com o mercado de trabalho. Quantas profissões da época dos nossos hoje já não existem mais? As lojas de disco, por exemplo, os vendedores de leite, as lavadeiras de roupa. Os exemplos são infindáveis e diversos. Fora as outras que deixaram de ter participação como o alfaiate e o sapateiro, que pouco a pouco foram substituídos pelas 2ª e 3º revolução industrial.

Os empregos não vão sumir, vão se transformar

A “crise” propriamente dita, está no período de transição, que é o que está acontecendo agora, e aqui é necessário atenção das autoridades e dos governos. A mudança é normal? Sim! Está longe? Sim! Então, tá tranquilo, tá favorável? NO! Precisamos nos preparar, precisamos qualificar nossa mão de obra, precisamos fortalecer a indústria nacional para que ela consiga se modernizar e não perca na competitividade e precisamos, principalmente, valorizar as startups e os empreendedores, pois são estes players que irão trabalhar, aliando a tecnologia com a geração de empregos.

E principalmente(!): aquela velha história, focar na educação, e quando digo focar, não é só dar dinheiro para educação, vai muito além disso. Temos que preparar os alunos não somente para trabalhar nesse novo mundo, mas para pensarem e criarem nele. Nos EUA já existem iniciativas para inserir a programação na grade curricular. No Brasil, em poucos lugares, em poucas escolas, também temos atitudes similares e este parece ser o caminho, ninguém precisa ser profissional de T.I. (Tecnologia da Informação) para garantir seu emprego em 2030, mas é muito bom que o individuo entenda a tecnologia e como ela funciona, pois o convívio será inevitável.

Como se preparar?

Vamos agora às dicas e sugestões de como se preparar para o novo mercado de trabalho que vem aí:

1 – Procure entender como a tecnologia afeta a sua profissão: com o que você trabalha? Você é enfermeiro? Garçom? Repórter? Enfim, se a resposta é sim, tá tranquilo! Porém estude! Procure saber como as tecnologias podem melhorar o seu trabalho, como elas podem simplificar os processos do seu serviço. Veja o que pode ser feito de maneira automatizada e o que tem que ser feito por uma pessoa de fato;

2 – Procure se especializar sempre: não perca a gana de estudar e se aprimorar só porque está em um emprego estável. Com a 4ª Revolução, a tendência é que fiquem apenas aqueles que de fato geram valor e diferencial para as empresas. Seja aquela mente que não pode ser trocada por um robô.

3 – Aumente sua capacidade de se relacionar: segundo um estudo publicado pela European Journal of Personality, feito pela Universidade de Houston, constatou-se que a cada 15 pontos de QI conquistados diminui-se em 7% o risco de você ser substituído por uma máquina. Loco, né? Mas por que isso? Quanto mais você aumentar a capacidade de se relacionar e resolver problemas mais apto está a trabalhar neste novo mercado. Uma vez que as máquinas só resolvem problemas, números e cálculos, sem nunca levar em consideração questões como arte, filosofia e afins. Aprimore estas habilidades, e vencerá!

Ou isso tudo, ou torne-se você mesmo, um Gestor de Robôs!

Links e Referências:

https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,computadores-pilotam-sala-de-comando-da-linha-4-amarela-do-metro,557613

https://www.tudocelular.com/curiosidade/noticias/n50822/Nos-EUA-escolas-querem-ensinar-linguagem-de-programacao-aos-alunos-para-suprir-demanda-do-mercado.html

https://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2017/11/robos-podem-roubar-800-milhoes-de-empregos-ate-2030.html

https://www.forbes.com/sites/johnkoetsier/2018/04/23/usa-ranks-9th-in-global-robotics-automation-job-loss-report-after-korea-germany-japan-canada/

https://www.bbc.com/news/world-us-canada-42170100

https://epocanegocios.globo.com/Revista/noticia/2017/10/como-derrotar-robos-no-mercado-de-trabalho.html

https://exame.abril.com.br/tecnologia/escolas-programacao-criancas-brasil/

https://portalcontabilsc.com.br/noticias/setor-de-servicos-e-o-que-mais-emprega-no-brasil-segundo-o-ibge/

Apenas um rapaz latino americano que busca seu lugar ao Sol, formado em Tecnologia da Informação porém amante de humanas. Ao se deparar com diversas situações do dia a dia, reflete sobre todas elas, e dessas reflexões as vezes sai uns conteúdos bons que a gente posta por aqui mesmo.