Um ponto a se destacar antes de começar este artigo é: A discussão de gênero é sim importante e relevante, e a proposta aqui é levantar mais uma questão neste longo e interminável debate.

Acompanhando o jornal pela manhã, vi uma matéria sobre os vagões exclusivos das mulheres nos trens do Rio de Janeiro, o foco da matéria era totalmente pautado em cima do feminismo, mostrando que os homens estavam se utilizando indevidamente destes vagões. Até então, tudo bem, vale lembrar que essa exclusividade de vagões para mulheres existe no Rio desde Abril de 2006 (regulamentada em 2017) e é uma lei estadual. Gerou um certo debate quando esta lei foi sugerida na época, até quiseram importar ela para SP, porém não deu certo aqui, mas no Rio isso é uma realidade.

O que de fato me chamou a atenção, foi quando o repórter entrevistou uma passageira destes vagões exclusivos. Perguntada o que ela achava sobre os homens que se utilizavam destes vagões a mesma respondeu “Não, aqui homem não entra, se entrar a gente põe pra fora”, isso me despertou a atenção. Não vamos ser hipócritas aqui e dizer que os abusos sexuais nos trens e metros Brasil afora não existem. Só na cidade de São Paulo, durante a Janeiro a Setembro de 2017, foram registrados mais de 150 casos de assédios sexuais contra as mulheres. De fato, o problema existe, e é grave, e por vezes difíceis de combater, mas seria confinar o gênero “oprimido”, confinar todas as vitimas em um vagão de trem a melhor solução? Ou seria a solução prática e rápida para o Estado?

Decreto 46.072/17 Garante Vagão Exclusivo para as Mulheres no Rio

Seria como se assumíssemos que os homens são de fato selvagens, e que homens e mulheres não conseguem conviver no mesmo ambiente e, portanto, o melhor seria separá-los.

Claro que estamos falando apenas de um vagão exclusivo durante um certo horário, talvez não faça sentido se basear neste fato e esticar para o pensamento de segregação de gênero, mas a partir do momento que permitimos atitudes como a que ocorre no Rio aconteçam abrimos precedentes para ideias, para pensamentos como o da mulher entrevistada. Se isto é errado ou certo é plausível, cabe um debate de qual seria a melhor maneira do Estado resolver o problema que de fato ocorre, mas algo que é errado é esse pensamento separatista “Mulheres pra cá, homens que se explodam pra lá”. Não me parece saudável que a sociedade conviva e aceite pensamentos como este, confinar uma pessoa pelo seu sexo é algo totalmente ridículo, ou ixxxcroto, como os cariocas gostam de falar. O que difere esse tipo de segregação crescente de outros casos que tivemos na nossa história?

Nem Pratico, Nem Extremo!

O Estado está errado em tomar este tipo de iniciativa pratica para um problema complexo, este tipo de medida só serve como um cala boca, “Ah… Vai lá, vamos fazer desse jeito e já era!”, sem contar que isto pode ser utilizado como palanque eleitoral “Canditado X aprovou a lei que resolveu os assédios nos trens e metrôs”.

Não só o Estado está errado, mas também os movimentos que apoiaram este tipo de atitude, pois, não nos enganemos, por trás de todas as propostas políticas há um movimento de pessoas por trás.

Mas quando se tem um cenário onde as mulheres estão sendo vitimas constantemente, é preciso tomar alguma atitude, então, ao mesmo tempo que criticamos esta medida adotada pelo Rio de Janeiro, também temos que levar em consideração este lado da questão. Como foi dito no começo do artigo, o objetivo aqui é somar ao debate, a fim de encontramos a melhor solução para este problema.

Por fim…

Não estamos aqui julgando a mulher entrevistada, criticando o feminismo, e nem dizendo que temos que conviver com os assédios sexuais, apenas apontando uma resolução barata que, além de não funcionar, acaba criando ainda mais segregação. Jamais acabaremos com uma sociedade opressora se apenas confinarmos as vitimas.

Referências

https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/metro-e-cptm-tem-um-caso-de-assedio-sexual-a-cada-dois-dias-diz-levantamento.ghtml

https://br.blastingnews.com/brasil/2015/08/espaco-exclusivo-para-mulheres-divide-opinioes-00533637.html

http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2017-08/lei-garante-vagao-exclusivo-para-mulheres-em-trens-e-metro-do-rio

Apenas um rapaz latino americano que busca seu lugar ao Sol, formado em Tecnologia da Informação porém amante de humanas. Ao se deparar com diversas situações do dia a dia, reflete sobre todas elas, e dessas reflexões as vezes sai uns conteúdos bons que a gente posta por aqui mesmo.